Palestra de Abertura

O Prof. Dr. José Roque (CNPEN) está confirmado para o XV Encontro de Física do ITA (#EFITA 2022)!

CNPEM: um complexo singular para os desafios do futuro

Laboratórios Nacionais se tornaram elementos importantes nos Sistemas Nacionais de Ciência, Tecnologia e Inovação dos diferentes países, desde o sucesso inicial dessas instalações com o Projeto Manhattan. Apesar de, inicialmente, estarem fortemente ligados a questões de segurança nacional, evoluíram ao longo do tempo para centros que desenvolvem, constroem, operam e mantém infraestrutura e equipamentos de pesquisa diferenciados, de escala de tamanho e recursos incompatíveis com uma replicação em vários laboratórios de pesquisa, com enorme ganho de escala. A evolução dos Laboratórios Nacionais também trouxe um segundo componente, que é a missão de execução de programas estratégicos, em áreas como saúde, meio ambiente, energia, novos materiais, dentre outros. Uma característica desses problemas, dadas as suas complexidades, é a necessidade de abordagens multidisciplinares e coordenadas na busca de soluções. 

Inspirado nesse modelo dos Laboratórios Nacionais, o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) se destaca no cenário nacional por ser um centro de referência aberto, multiusuário e multidisciplinar, beneficiando anualmente milhares de cientistas nas mais diversas áreas do conhecimento. O CNPEM tem sua origem no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), que desenvolveu a tecnologia e construiu entre 1987 e 1997 uma fonte de luz síncrotron de segunda geração, primeira do hemisfério sul. Ao longo dos anos outras competências foram sendo agregadas ao Centro, atingindo sua configuração atual como um complexo de quatro Laboratórios Nacionais que reúne: o próprio LNLS; o Laboratório Nacional de Biociências (LNBio); o Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e o Laboratório Nacional de Biorrenováveis (LNBR).

Desde 2009 o CNPEM tem trabalhado no projeto e construção do novo síncrotron brasileiro – Sirius. Sirius será um sincrotron de altíssimo brilho, uma das primeiras máquinas de 4a geração do mundo, e um dos projetos mais avançados já construídos no país. Esse aumento significativo do brilho irá permitir a execução de experimentos e utilização de técnicas antes indisponíveis no país. Com isso, Sirius abrirá enormes oportunidades para o estudo de materiais – orgânicos e inorgânicos – com grau de detalhe sem precedentes, fornecendo ferramentas de pesquisa de ponta competitivas mundialmente. Esse complexo de competências integradas no CNPEM permite que grandes e complexos desafios científicos para o futuro possam ser abordados, contribuindo para a solução de relevantes problemas para o Brasil e o mundo. Nesta palestra será apresentada uma visão geral do CNPEM bem como as principais características, potencialidades e status do projeto Sirius.

Sobre o palestrante

Antônio José Roque da Silva concluiu a graduação (1986) e o mestrado (1989) em Física pela UNICAMP, e o PhD em Física pela University of California at Berkeley em 1994. Fez Pos-Docs na University of California at Berkeley (1994-1995) e na University of California at Los Angeles (1995-1997). Atualmente é Membro Titular da Academia Brasileira de Ciências (Ciências Físicas), membro da Academia de Ciências do Estado de São Paulo (ACIESP), Professor Titular da Universidade de São Paulo e Diretor Geral do CNPEM e do Projeto Sirius. Agraciado com a Ordem Nacional do Mérito Científico, Classe Comendador. Publicou mais de 130 artigos em periódicos especializados e é co-autor de mais de 200 trabalhos apresentados em eventos nacionais e internacionais. Tem mais de 4500 citações e um parâmetro h=34. Possui 4 capítulos de livros e 1 livro publicado. Supervisionou 6 pós-doutorados, orientou 7 dissertações de mestrado e co-orientou 2, orientou 9 teses de doutorado e co-orientou 4. Atua na área de Física, com ênfase em Física da Matéria Condensada e Física Atômica e Molecular. Em particular, tem interesse principal na área de simulação computacional e cálculos de estrutura eletrônica e propriedades de transporte eletrônico, com foco na área de nanoestruturas.

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